QUEM SOU?

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Goiania, Brazil
Um homem simplesmente aí, jogado no rio do devir a procura de si mesmo. Um campo de batalha... uma corda sobre o abismo, um ser no mundo corroido pela angustia da certerza da própria morte, mas que faz dessa consciencia da finitude um motivo para se responsabilizar mais por cada uma de suas escolhas.http://lattes.cnpq.br/9298867655795257

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

A FLOR E A NÁUSEA,

A FLOR E A NÁUSEA, ROSA DO POVO, CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

Preso à minha classe e a algumas roupas,
vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias espreitam-me.
Devo seguir até o enjôo?
Posso, sem armas, revoltar-me?



Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.



Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase.



Vomitar esse tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema
resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam para casa.
Estão menos livres mas levam jornais
e soletram o mundo, sabendo que o perdem.



Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.
Ração diária de erra, distribuída em casa.
Os ferozes padeiros do mal.
Os ferozes leiteiros do mal.



Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de l9l8 chamavam anarquista.
Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvo
e dou a poucos uma esperança mínima.



Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.



Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.



Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.

sábado, 29 de abril de 2017

GREVE GERAL - FOTOS E FALAS

Wanderley J. Ferreira Jr
Reconheço que é problemático reconhecer que em qualquer país com um povo menos tutelado e alienado que o nosso, multidões estariam nas ruas nesse momento fazendo vigília cívica até o governo cair.
Apesar de reconhecer causas históricas, sociais, políticas e econômicas para a pasmaceira e alienação que se abate sobre a maioria silenciosa, estou perdendo a paciência com nós mesmos.
Doeu profundamente ver gente pobre, explorada, que anda como gado em ônibus e trens lotados,  reclamar da greve com medo de perder um dia de trabalho. Lamentável ver esse bando de zumbis, sonâmbulos, querendo  trabalhar  e reclamando daqueles que lutam pelos seus direitos.
Os ratos em Brasília agradecem.
Isso mostra a eficiência da ideologia, no caso burguesa – a empregada quer ser a patroa de amanhã, o peão quer ser o fazendeiro. Acreditam que com  trabalho e algum mérito acabarão chegando lá...
Pode ser doloroso e até injusto com o povo admitir, mas na maioria dos processos de transformação social há sempre a turba, a massa ignara que vem a reboque. Há sempre uma vanguarda, uma minoria qualificada que luta na linha de frente – isso acontece em movimentos da esquerda e direita. Que me desculpe o velho Marx e companheiros anarquistas...
Mas o fato é que o rebanho acordou para ir trabalhar. Alheio à greve geral e às reformas que afetarão a vida de todos. Reformas que só interessam aos patrões, às corporações, aos bancos, enfim, à banca do sistema financeiro. Além de estigmatizar o  funcionalismo como sendo um bando de privilegiados sustentados pelos mais pobres.
Entretanto, a greve teve, acima de tudo, um caráter pedagógico. Serviu de alerta aos ratos em Brasília.
Serve de alento pensar que muitos que não foram às ruas e  também não apoiam esse governo ilegítimo e suas reformas. Espero.
Houve momentos históricos e imagens lindas e inesquecíveis que gostaria de compartilhar aqui – SP, Rio e Fortaleza.


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Parabéns meus guerreiros...isso renova minhas esperanças.
Só acho que termos que  acampar nas ruas. Vigília cívica até governo cair.
É preciso descer a toca dos ratos em Brasília.
Ontem fui ao centro de Goiânia, quando cheguei a polícia já tinha dispersado multidão e mandado um de nossos alunos (UFG) para o hospital. Diagnóstico: UTI - Estado grave com traumatismo craniano e múltiplas fraturas no rosto.
Fiz algumas imagens – Testemunhas afirmaram que quem bateu no estudante e estava comandando a tropa era um policial acusado na Op. Sacramento de liderar grupo de extermínio.
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Enquanto isso em Brasília...

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A questão que coloco aos colegas é: até quando vamos fingir que nada acontece? Tem sentido continuar nosso trabalho, dar aulas, escrever, pesquisar, organizar eventos, etc nesse contexto sem sentir um certo mal estar diante de nossos alunos e de nós mesmos?
Mas ainda resta uma esperança...essa rapaziada que não foge da raia...

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A ânsia de destruir é também uma ânsia de criar. Bakunin.
Vive l’anarchie

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Um abraço a todxs e bom feriado.